Nome de baptismo: António de Jesus Francisco Nunes
Data de nascimento: 27/01/1935
Local de nascimento: Benfeita - ARGANIL
Data de falecimento: 10/10/2015
Local de falecimento: Coimbra - H.U.C.
Sepultado em: Cemitério de Benfeita - ARGANIL
Localização: Sepultura 244
Responsável: Site da Benfeita - 12/10/2015

António Nunes

ANTÓNIO NUNES

1935-2015

António de Jesus Francisco Nunes era natural da Benfeita, terra onde nasceu em 27/01/1935. Era filho de António Francisco Nunes (falecido em 23/05/1975, com 80 anos) e de Maria de Assunção de Jesus (falecida em 26/09/1992, com 96 anos), também naturais da Benfeita, terra onde tinham uma loja de comércio geral com taberna, um armazém e uma garagem com oficina.

«A sua mãe era irmã do meu avô Firmino, o que faz com que o meu pai fosse seu primo direito e eu, seu segundo primo. O seu pai e o meu avô combateram juntos na guerra 14/18, em Moçambique, incorporados no Regimento de Infantaria 23, razões pelas quais o meu pai e ele fossem muito amigos, e esse sentimento familiar tivesse passado para mim em relação a toda a sua família».

Teve 6 irmãos: Adelino Francisco Nunes (nascido em 20/09/1920, casado com Patrocínia Dias, falecido em 08/03/2009, pais da Maria Adelina); Alberto Francisco Nunes «Berto» (nascido a 12/03/1925, casado com Maria Alice da Conceição Quaresma, pais do Miguel); Maria Adelina d'Assunção (nascida a 17/09/1928, viúva de César do Rosário Gonçalves Prata, falecido em Moçambique em 15/04/1973, pais do Zé Alberto e da Guida); Lucinda de Assunção Nunes Dias (nascida em 02/07/1930, casada com Alberto Bernardo Dias, pais do Carlos Alberto «Carlos da Capela» e da Maria Amabília «Bilita»); Horácio Simões Nunes (nascido em 25/02/1933, casado com Fernanda das Neves Victória e falecido em 16/02/2009, pais da Maria Dulce); e Mário Francisco Nunes (nascido em 28/02/1937, casado com Maria Santos da Costa Nunes «Fernanda», pais do Luis Filipe e do Paulo Jorge).

Era conhecido por «Péssimo», assim como todos os seus irmãos, alcunha que vinha de seu pai, antigo combatente e incansável trabalhador de enormes capacidades de trabalho, que criou um serviço semanal de transporte para Coimbra, inicialmente em carro de mulas e depois numa furgoneta, carregando colheres de pau e carvão, entre outras coisas, e trazendo tudo quanto era necessário ao seu comércio ou lhe era pedido pelo povo. Tinha uma loja de comércio geral e uma taberna na Praça Simões Dias, instaladas no rés-do-chão de um prédio que mandou construir e que servia de habitação a toda a sua família no primeiro e no segundo andares. A garagem da furgoneta e a oficina localizavam-se perto da Igreja, tendo também no mesmo local o seu armazém de mercearia e vinhos, instalado no antigo curral.

António Nunes terminou a instrução primária na Escola da Benfeita e começou a trabalhar como mecânico numa empresa de Arganil até aos 19 anos de idade, tendo depois ido trabalhar para Lisboa. Em 1959, embarcou para o norte de Moçambique, para a região do Chiúre, onde foi trabalhar com os cunhados nas suas plantações de algodão e onde abriu uma loja de comércio e tinha várias machambas (terrenos de cultivo). Em 1968 casou com Maria Alice das Neves Ventura, de quem teve uma filha em 1970, a Cristina Maria.
Durante os 15 anos que trabalhou em África conseguiu algum conforto familiar e estabilidade económica, coisas preciosas que a descolonização decorrente da independência do território moçambicano seriamente ameaçou.
Regressou à Benfeita em 1976, tendo comprado a casa e a loja do seu pai, falecido no ano anterior, e cuja exploração deixou a cargo da sua esposa, enquanto ele se dedicava ao comércio de materiais de construção.

Amigo do seu amigo, António Nunes, gostava de receber bem em sua casa e a sua mulher, cozinheira de mão-cheia, gostava de preparar deliciosos petiscos que serviam aos seus amigos no "Curral da Mula", nome que deram à sua adega, e que outrora serviu para guardar os animais que o seu pai utilizara para puxar a sua galera (carroça coberta, mais comprida que o normal, puxada por duas mulas) quando, no seu negócio, transportava tijolo, areia e outros materiais de construção. O barracão onde eram guardados esses materiais transformou-se no museu das "Velharias do Nunes" para onde, durante anos, foram sendo adquiridos, e coleccionados com inexcedível zelo e carinho, os mais diversos objectos e utensílios da vida do campo e ferramentas das mais variadas profissões, como: barbeiro, merceeiro, ferreiro, latoeiro, serrador e sapateiro.

António Nunes, era uma pessoa determinada, um trabalhador incansável mesmo depois de já serem visíveis sinais da doença de Alzheimer. Faleceu com 80 anos de idade, em 10/10/2015, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, vítima de septicemia.

Vivaldo Quaresma

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA

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