Nome de baptismo: José Bernardo Quaresma
Data de nascimento: 19/02/1918
Local de nascimento: Benfeita - ARGANIL
Data de falecimento: 27/10/2012
Local de falecimento: Coimbra
Sepultado em: Cemitério da Benfeita - ARGANIL
Localização: Sepultura 12
Responsável: Site da Benfeita - 29/10/2012

Zé Quinta-Feira

JOSÉ QUARESMA

1918-2012

José Bernardo Quaresma era filho de António Bernardo Quaresma, o "tio Quinta-Feira", e de Maria de Nazareth Gonçalves. A alcunha de seu pai valeu-lhe ser conhecido por "Zé Quinta-Feira".

O seu pai, carpinteiro de profissão, era especializado em tanoaria, e ele seguiu-o na arte depois de ter concluído a instrução primária, na antiga Escola Primária do Areal. Com ele aprendeu todas as fases desta actividade desde o cortar dos pinheiros até ao pôr-em-obra, fazendo todos os trabalhos relacionados com a tanoaria (construção de pipas e barris de pequeno e médio porte), embora reconhecesse que o seu pai tinha mais destreza e aptidão para a arte, decorrentes de uma experiência mais longa e variada. E, tal como o seu pai, também foi um exímio tocador de guitarra.

Casou na igreja da Benfeita com Alda de Jesus Martins, em 5 de Outubro de 1938, de quem teve uma filha, Arlete Martins Quaresma, em 14 de Outubro de 1939 e de quem enviuvou em 8 de Dezembro de 1990. Foi para Lisboa em 1942, depois de um violento ciclone ter assolado a Benfeita, e lá começou a exercer a actividade de Carteiro, tendo ainda feito parte da comissão organizadora da Liga de Melhoramentos da Freguesia da Benfeita, em 1945.

Não vendo grande futuro na profissão que escolhera, decidiu emigrar para a América para junto do seu tio Eduardo; mas, como nesse ano a imigração para os EUA estava interdita, resolveu aceitar o convite do seu amigo José Feiteira e, em 1946, agarrou a sua ferramenta e foi para Lourenço Marques para dar continuidade ao seu ofício de carpinteiro. Porém, logo constituiu uma sociedade com o seu amigo e com outro sócio, natural do Pisão de Côja, pedreiro de profissão, tendo começado por tomar pequenas empreitadas a que se juntou a compra e venda de terrenos e trabalhos de construção civil mais complexos.
Nesta cidade frequentou a Escola Industrial Sá da Bandeira durante 5 anos, tendo concluído o curso de Mestre de Obras, em 1953.

Ainda veio à Benfeita de férias, em 1953, mas regressou definitivamente à sua terra em 1958, onde continuou a exercer a actividade de carpinteiro. Foi juiz da Irmandade de Nossa Senhora da Assunção, durante vários anos, desde 15 de Fevereiro de 1961.

Na sua actividade na Liga de Melhoramentos salienta-se a sua participação na construção da Casa da Liga, em 1965, tendo feito o projecto e o acompanhamento dos trabalhos, do princípio ao fim, e na abertura da estrada até à Praça Simões Dias.

Foi regedor durante 11 anos e presidente da Junta de Freguesia da Benfeita, de 15 de Novembro de 1971 a 12 de Janeiro de 1977, tendo sucedido ao Dr.Mário Mahias.

Nas suas atribuições na Junta de Freguesia destaca-se a compra do edifício da antiga Escola Primária, do Areal, e a elaboração do projecto para a construção do novo edifício para instalação e funcionamento da sede da Junta de Freguesia, cuja construção só viria a concretizar-se no mandato seguinte. A Junta não tinha instalações próprias e estava a reunir, ultimamente, na sede da Liga de Melhoramentos, local que permitia a assistência e a participação da população. Antes disso era utilizada a casa dos professores, no edifício do posto médico e sabe-se que, noutros tempos, terá sido utilizada, para o efeito, a capela de Nossa Senhora de Assunção.

Candidatou-se e obteve subsídios estatais para abertura de estradões em toda a freguesia, para acessos e limpeza de pinhais e beneficiação de terrenos de cultivo. Estes trabalhos, embora iniciados por si, só foram concluídos no mandato seguinte.

Ainda voltou à antiga Lourenço Marques, agora Maputo, para matar saudades, em 2004, com a filha Arlete e com o seu neto Jorge Luís, tendo regressado a Portugal com uma grande mágoa por ter visto o avançado estado de degradação em que se encontrava aquela cidade, outrora maravilhosa, agora com as ruas todas esburacadas, os edifícios sem qualquer manutenção, com as janelas e varandas cheias de grades de ferro, e uma grande ameaça de criminalidade nas ruas, tendo sido alertado, várias vezes, pelos motoristas de táxi, para não se aproximar muito das janelas e não ter objectos de valor à vista porque poderia ter surpresas junto aos semáforos.

O nosso "Zé Quinta-Feira", era uma pessoa muito estimada e respeitada por todos.

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA

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