HISTÓRIAS  DA  NOSSA  TERRA

O "DIA DAS MAIAS"

por: Vivaldo Quaresma

Dia das MaiasA porta da minha casa apareceu decorada com um raminho de giestas amarelas, mais conhecidas por Maias, no primeiro dia de Maio. E, como eu, várias outras pessoas foram contempladas com este agrado, na nossa aldeia.
A giesta é um arbusto do género spartium junceum, uma espécie invasora que ocorre de forma espontânea na nossa região, cobrindo a paisagem nesta altura do ano com as suas flores aromáticas de um gracioso tom amarelo-vivo que tanto nos agrada.

Mas, como surgiu esta tradição na Benfeita e quem teima em mantê-la viva, agora, que está na moda negar todas as tradições antigas?

Durante os meus tempos de criança ouvi várias versões sobre o significado desta tradição, sem nunca me ter debruçado verdadeiramente sobre o assunto; mas, há medida que os anos foram passando fui ficando mais exigente e hoje, já não me contento só com o simples “É para não entrar a fome!”.
Uns diziam que era para espantar o mau-olhado e haver fartura no lar. Outros diziam que era para impedir que o burro, ou o diabo à solta disfarçado de asno, desse coices nas portas. Havia, também, quem dissesse que era contra o carrapato, pequeno parasita que causava grandes prejuízos nos rebanhos. E outros, mais simplesmente, diziam que era contra as bruxas!

A celebração das Maias é uma tradição de origem Celta ligada aos cultos da fertilidade da terra e da aproximação do Verão que, para os Celtas, se iniciava no quinto mês - em Maio. Esta tradição assumia diferentes expressões consoante a região onde era celebrada e foi assimilada pela Religião Católica, à semelhança de tantas outras tradições pagãs, tendo-se hoje perdido o seu real significado que, basicamente, tinha a finalidade de invocar a proteção da Natureza e estava ligada aos rituais agrícolas.

Giestal da serraMas, segundo a lenda, num evento bíblico que ficou conhecido como “O massacre dos inocentes”, quando o impiedoso Herodes “O Grande”, rei da Judeia, ordenou a execução de todos os meninos com menos de 2 anos, na vila de Belém, por ter tomado conhecimento do nascimento de Jesus que, conforme fora anunciado pelos “Três Reis Magos”, seria o futuro “Rei dos Judeus”, um dos seus ajudantes, para evitar que muitas crianças fossem assassinadas, sugeriu que na porta da casa onde Jesus vivesse, se colocasse um ramo de giesta, a fim de, no dia seguinte, os soldados de Herodes o executassem. Desta forma saberiam qual a casa onde Jesus se encontrava. Contudo, no dia seguinte, quando os soldados procuraram a casa assinalada ficaram espantados, porque todas as casas estavam marcadas com giestas nas portas e não puderam dar com Ele, o que permitiu a Sua “Fuga para o Egipto”.

De qualquer forma, a força desta tradição ainda hoje se mantém, e todos os anos, no último dia de Abril, as pessoas continuam a fazer questão de arranjarem o seu raminho de giestas amarelas para colocarem nas portas ou janelas e assim cumprirem a tradição, sobretudo no Centro e Norte de Portugal.

Algumas pessoas, em sinal de simpatia por vizinhos ausentes, colocam nas suas portas ou janelas, os alegres raminhos com flores amarelas, não deixando que a sua identidade seja revelada, sendo por isso, ainda mais generoso o seu gesto.

Colabore!
VIVALDO QUARESMA
07/05/2021

Ver também:
As Festas da Benfeita
Histórias da Nossa Terra