TRADIÇÃO  RELIGIOSA

CôngruaA CÔNGRUA PAROQUIAL

Ao contrário do que muita gente erradamente pensa, os párocos não recebem um único cêntimo do Estado. São os paroquianos que, em princípio, e de acordo com a sua consciência cristã, têm a obrigação de contribuir para a sua sustentação, de acordo com a capacidade económica de cada um.

A Côngrua representa, assim, a generosidade dos paroquianos de uma freguesia para com o seu pároco. Não é uma esmola — é a contribuição dos fiéis para as despesas do culto e da sustentação do clero e, manda-o a Santa Igreja, deve corresponder a um dia de trabalho, por ano, seja trabalhador por conta de outrem, independente, proprietário, ou viva de rendimentos ou pensões. Portanto, é uma forma concreta de participação dos fiéis nas necessidades da Igreja para o bem comum!

Nela devem participar todos os paroquianos presentes ou ausentes da freguesia, na Páscoa, nas Férias ou no Natal. O Padre Loureiro estabeleceu, durante o período em que paroquiou as freguesias da Benfeita, Cerdeira e Teixeira, os meses de Setembro e Outubro, para a cobrança da côngrua, mas nada impede que ela seja feita em qualquer outra altura do ano que seja mais propícia ao paroquiano.

Para se fazer uma ideia de quanto será o seu valor, por cada 500 euros de retribuição líquida mensal, corresponderá uma côngrua de 17 euros por ano. No entanto, cada um poderá contribuir de acordo com a sua consciência e possibilidades. Os ausentes, normalmente contribuem com metade e, naturalmente, os não católicos, estão dispensados dessa obrigação moral e espiritual.

A côngrua paroquial destina-se especificamente a prover as necessidades correntes, como: os gastos com o culto; caridade; sustento do sacerdote; salários e encargos sociais dos funcionários; equipamentos; expediente e manutenção, etc. ficando as despesas extraordinárias (por exemplo, obras de maior dimensão), ligadas a iniciativas de angariação pública, para cada caso específico.

Hoje, há menos padres no país mas, em contrapartida, há mais psicólogos e psicoterapeutas, seja: nas escolas, nos hospitais, na segurança social, nas esquadras da polícia ou nas prisões; mas, na igreja, continua a haver um padre (mestre, amigo e confidente) que aparece ao seu público com um ar de tranquilidade, sempre sorridente, podendo estar a sua vida numa desgraça, e a quem dificilmente alguém pergunta como está a sua mãe ou os seus irmãos ou como está a sua saúde, e tem de aturar um monte de gente problemática, tendo de abdicar de muitos privilégios e de ter sonhos ao longo da sua vida.
Quem o procura precisa de ouvir uma voz calma e equilibrada e de receber uma ajuda gratuita, racional e desinteressada.
Estes são os nossos "psicólogos" que, sem qualquer fonte de remuneração, para além da côngrua episcopal, estão ao serviço da paróquia e do bem público, sem exigência de horários e em disponibilidade total e que, em certos momentos, actuam em nome de Cristo, recebendo o perdão divino das faltas confessadas e de uma penitência para reparação dos danos causados pelo pecado.
Os seus ouvidos estão sempre abertos para casos de violência, problemas conjugais e matrimoniais, orientação profissional e escolar, bullying, drogas, alcoolismo, depressão, etc. e a sua voz amiga, serena e cordial, procura sempre dar um conselho racional e equilibrado, mesmo quando impõe uma penitência de 10 Pais-Nossos e 20 Avé-Marias!
A côngrua é, pois, uma tradição paroquial cristã mas é, também, um dever moral e religioso de todos os crentes que assim contribuem para a honesta e digna sustentação do seu pároco.

VIVALDO QUARESMA
Maio 2015

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