ALMINHAS   DA  BENFEITA

Alminhas populares

Alminhas da Ponte Fundeira

Alminhas de Nossa Senhora do Carmo

As Alminhas Populares fazem parte do património artístico-religioso da Benfeita. Actualmente existem 3 alminhas na aldeia: na Ponte Fundeira, na Corga e em São Bartolomeu.

As alminhas da Ponte Fundeira, ou de Nossa Senhora do Carmo, graças à sua localização, concepção e tamanho são as mais conhecidas. Este pequeno monumento, em pedra, símbolo da devoção cristã da nossa terra, está situado à entrada da aldeia, em local que convida ao descanso, à reflexão e à oração.

O projecto, com desenho e direcção de obra do Pe. José da Costa Loureiro, foi totalmente financiado por Adelino Francisco da Costa, em memória de sua mãe Maria da Ressurreição, e teve várias participações beneméritas como por exemplo a de José Simões Feiteira que assentou de graça toda a azulejaria e de José Nunes Santos Oliveira que ofereceu algum material.

Por promessa da nossa conterrânea Dª Emília Nunes da Costa, antes de partir para Moçambique, para junto do seu marido, Adelino Francisco da Costa, em Março de 1963 por ocasião do 10º aniversário do seu casamento na Benfeita, foram edificadas junto à Ponte Fundeira, estas “alminhas” que muito embelezam o local devido à sua agradável presença arquitectónica de fino traço.

Este nicho de almas, concluído em 17 de Maio de 1963, foi inaugurado e benzido no dia seguinte, pelo Arcipreste de Arganil, Pe. Américo Brás da Costa.

O retábulo das alminhas, protegido por uma artística grade de ferro, é um painel de azulejos com a imagem de Nossa Senhora do Carmo sentada nas núvens, coroada como Raínha do Céu e da Terra, usando Escapulário, com o Menino Jesus ao colo, trazendo bênçãos para toda a humanidade, e os Arcanjos Miguel e Gabriel resgatando as almas do Purgatório em agonia.
Nele figuram, ainda, as iniciais P.A. (Pelas Almas) P.N. (Pai Nosso), que convidam os passantes a rezarem um PAI NOSSO PELAS ALMAS DO PURGATÓRIO.

No nicho das almas encontrava-se uma jarra com flores, algumas velas e uma caixa em chapa de ferro para recolher esmolas.

Em baixo, no muro onde assenta o oratório de pedra, existem 2 painéis de azulejos estampados, com 2 quadras pintadas à mão, ao centro.

Click na imagens para ampliar

Quadra em azulejo estampado
Retábulo em azulejo das Alminhas
Quadra em azulejo estampado
Quadra em azulejo pintado à mão
Retábulo em azulejo das Alminhas
Quadra em azulejo pintado à mão
Ponte Fundeira, lado Sul
Encruzilhada das Almas
Ponte Fundeira, lado Norte
Ponte Fundeira, lado Sul
Encruzilhada das Almas
Ponte Fundeira, lado Norte

ALMINHAS

Alminhas que o povo crente
Semeou no meu país,
São votos que o povo sente,
Orações que o povo diz.

Alminhas a sufragar
As almas de quem morreu,
São luzinhas a apontar
Altos caminhos no céu!

Vasco de Campos / 1985 

Alminhas da Corga

Alminhas de S. Bartolomeu

Alminhas da Corga

Alminhas de S. Bartolomeu

Estes pequenos monumentos religiosos que pedem a oração dos que por eles passam, em favor das almas do Purgatório, são uma das expressões mais originais da arte popular portuguesa e atestam a sua grande religiosidade.

São constituídos por um oratório e um painel ou retábulo, representando as almas que ardem no fogo do Purgatório, encontrando-se na berma das estradas e nas fachadas das casas, espalhados por todo o país, embora em maior número no Norte e no Centro.

As almas que ardem no Purgatório, simbolizado por uma fogueira, rezam para assim pedirem o auxílio dos santos e também das pessoas que por lá passam, que rezem por elas, para poderem ir para o Céu. As divindades representadas eram escolhidas pelos artistas ou por quem as mandava construir.

As almas são normalmente figuradas como bustos humanos de adultos, de ambos os sexos, de todas as categorias, vocações e raças. As crianças que, segundo a crença, eram puras de alma e sobem de imediato ao Paraíso sem passarem pelo Purgatório, não aparecem representadas nas Alminhas.

Em Portugal, as primeiras representações artísticas do Purgatório só aparecem a partir do século XVI. Durante o séc. XVII, os quadros do Purgatório espalham-se mais ou menos por todo o país. No séc. XVIII as pinturas ao ar livre das cenas do Purgatório espalharam-se, em grande número, por muitos caminhos e povoações. Nos séc. XIX e XX as pinturas do Purgatório mantiveram-se, embora quase todos os retábulos tenham sido substituídos por painéis de azulejos.

[Do livro de Manuel João Maia Tojal, "Alminhas"]

Antigas alminhas do Largo da Oliveira Entre as almas do Purgatório há muitas que nunca cometeram um pecado grave na vida normal. Porém, por não terem satisfeito à justiça divina pelos pecados veniais com que a ofenderam, ficam retidas no lugar da purificação até que tenham feito a expiação do último, porque no Céu nada de impuro pode entrar.

A oração pelos defuntos é uma tradição da Igreja e o mês de Novembro é dedicado às Almas do Purgatório. Quem entrou no Purgatório já está salvo, porém, em constante estado de expiação e purificação das máculas que se agregaram à sua alma durante a vida terrena. No entanto, que isto não sirva de consolo ou de motivo para justificar a prática de pequenos pecados.

Não devemos, nunca, deixar de rezar pelos mortos que dependem das nossas orações e intenções, nas celebrações eucarísticas. É muito bela a devoção às almas do Purgatório! Agradável a Deus, proveitosa às pobres almas e utilíssima a nós mesmos. Não fechemos os nossos ouvidos aos gemidos de quem padece no Purgatório. Eles levantam as mãos para nós, suplicando o nosso auxílio. Lá estão pais amorosos, que aos filhos e às esposas dedicaram os seus cuidados, dia e noite. Lá estão muitas mães que ternamente amaram seus filhos e seus maridos. Irmãos, cuja morte muito nos entristeceu. Amigos, que connosco caminharam e tantas alegrias nos proporcionaram. A nós se dirigem suplicantes: "Compadecei-vos de mim, ao menos vós, que sois meus amigos, porque a mão do Senhor me tocou". (Jó 19, 21)

[Do livro de Pe. João Batista Lehmann, "Na luz Perpétua"]

ALMINHAS DA MINHA TERRA

Quem não conhece as alminhas
Dessas estradas da Beira,
Umas pinturas singelas
Num pedaço de madeira?

Almas de nossos parentes,
Almas de nossos avós,
Almas que falam com alma
À alma de todos nós?

Algumas têm por baixo:
Ó vós todos que passais,
Antes que vades além,
Lembrai-vos de vossos pais.

Algumas são malfeitinhas,
(Não soube mais o pintor...)
Que importa a forma do corpo?
Na alma é que está o valor.

Benditas sejam as almas
Da beira do meu caminho!
Enquanto rezo por elas,
Não vou na estrada sozinho.

Algumas têm um alpendre.
São almas hospitaleiras,
Como em geral são as almas
Nas boas terras das Beiras.

Algumas foram roubadas.
(Quem tal acreditaria?)
Ficou a casa por conta.
Padre Nosso e Avé Maria.

Nalgumas almas, coitadas!
Foi-se a pintura que havia.
Que importa? Sempre são almas.
Padre Nosso e Avé Maria.

E há corações de pedra
Cheios de orgulho e ambição
Que passam por estas almas
Sem um ar de compaixão!

Eu gosto de encontrar almas
À beira de estrada nova
- Triste sinal do progresso,
Que nunca passa da cova.

É pobre a casa das almas,
De adornos, que não de graça,
Não pode estar num palácio
Quem pede esmola a quem passa.

As almas que são bem feitas
Prendem a nossa atenção.
«Rezai pelo nosso autor»,
Dizem-nos elas então.

Tirar agora o chapéu
Neste tempo de invernia...
- A chuva não mata a gente.
Padre Nosso e Avé Maria.

Ir com a cabeça ao sol
Tropical, ao meio dia...
- É por pouco, não faz mal.
Padre Nosso e Avé Maria.

Algumas são tão velhinhas!
Santas avós que Deus tem,
Deus vos admita depressa
Na sua morada. Amen.

Ó almas da minha Beira,
É tão triste andar sozinho!
Sede minhas companheiras
À beira do meu caminho.

[Da Terra ao Céu - 1935]

Padre Augusto Nunes Pereira

Distinto artista plástico e poeta de bom merecimento que, durante largos anos, paroquiou a freguesia de Côja, tendo sido agraciado pela Câmara Municipal de Coimbra com a medalha de ouro da Cidade, em 1986.

Ordenado sacerdote em 1929, faleceu em 1 de Junho de 2001, com 94 anos de idade.