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António
Alberto Martins, também conhecido por "Tóino
Mina", era uma pessoa muito estimada no meio
benfeitense. O seu apelido ligava-o a sua mãe
Maria Guilhermina Gonçalves que era conhecida
pelo diminuitivo "Mina". Assim, o António,
filho da Mina, passou a ser conhecido por António
Mina, desde muito novo.
Seu
pai, José Augusto Martins, foi canastreiro
e barbeiro de profissão. Foi encorporado
na Companhia de Saúde, em Coimbra, e foi
mobilizado para a guerra de 1914-18, tendo seguido
para a frente francesa, como ajudante de enfermeiro.
De regresso à Benfeita combinou a arte
de barbeiro com outras actividades paralelas,
como dar injecções, fazer pequenas
cirurgias, tirar quistos, arrancar dentes e receitar
medicamentos tanto nas terras da freguesia como
nas aldeias limítrofes.
Depois
de concluir o exame da quarta classe, na escola
da Benfeita, o António Mina entrou como
aprendiz para a barbearia do seu pai.
Aos
17 anos de idade ficou ligado a uma actividade
que lhe deu muito prazer - tratar da Torre da
Paz e garantir que o mecanismo do relógio
trabalhasse sempre, e bem. A sua casa situava-se
a cerca de 20 metros da Torre; por isso, nunca
se esqueceu de subir os degraus da pequena torre,
duas vezes por semana, para rodar a manivela que
puxava os pesos megalíticos no fosso da
torre, enrolando a corda que lhe transmitia o
movimento.
Assistiu
à construção da torre desde
a colocação da primeira pedra, razão
pela qual tratava da manutenção
do relógio como se fosse o seu "menino".
A 7 de Maio de 1945, a Torre da Paz foi inaugurada
ainda sem ter o seu relógio, que só
viria a ser instalado dois meses depois. O presidente
da Junta de Freguesia, Alfredo Oliveira teve,
então, de tocar o Sino da Paz, à
mão, para assinalar o fim da guerra na
Europa, conforme havia sido planeado. Depois de
alguns momentos e de várias pessoas terem
tido a honra daquele gesto, a corda passou para
as mãos do "Mina" e, desde então,
foi ele o responsável pelo repique automático
do relógio, durante os 59 anos que se seguiram.
Foi
funcionário dos CTT, empresa onde durante
muitos anos desempenhou as funções
de Carteiro com aprumo e pontualidade, fazendo
as folgas e as licenças dos colegas, calcorreando
montes e vales na distribuição da
correspondência por toda a freguesia.
Casou
com Maria do Rosário Simões, em
11/02/1952, quando desempenhava as funções
de Auxiliar da Igreja de Santa Cecília,
como sacristão, cargo que viria a renunciar
por desentendimentos com o pároco José
Redondo. Deste casamento viria a nascer um único
filho, Rogério Simões Martins.
Durante
muitos anos foi colaborador do "Jornal de
Arganil" onde, frequentemente, deixava o
seu testemunho da terra, com empenho e entusiasmo,
comentando os acontecimentos mais marcantes do
quotidiano benfeitense. Raramente se encontravam
notícias sobre a Benfeita, neste jornal,
que não fossem assinadas por si, muito
contribuindo para a divulgação da
nossa terra.
Em
2004, em consequência de uma cirurgia dupla,
ao joelho direito e à anca esquerda, no
Hospital da Universidade de Coimbra, o ti Mina,
como era também era conhecido, ficou "agarrado"
definitivamente a uma cadeira de rodas, nunca
mais tendo subido a escadaria de Santa Rita, nem
os degraus da Torre da Paz, para dar corda ao
"seu" relógio e continuar a missão
que voluntariamente abraçou.
Em
2010, com 83 anos de idade, face ao agravar do
seu estado de saúde, o ti Mina deu entrada
no Lar de Idosos do Centro Social do Sarzedo,
aonde era muito estimado, e aí tendo permanecido
até ao fim dos seus dias.
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