JARDIM  LEONARDO  MATHIAS

HOMENAGEM DO POVO

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Leonardo Gonçalves Mathias

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Vista lateral do monumento

Vista lateral do monumento

Em 11 de Novembro de 1961, dez anos após o falecimento de Leonardo Gonçalves Mathias, foi inaugurado este busto em bronze, sobre um artístico plinto, num largo expressamente urbanizado para o efeito, em local distinto que se vê de quase toda a povoação.

Este singelo, mas bem expressivo monumento, custeado por subscrição popular, foi inaugurado no dia em que fazia 30 anos que, sob a direcção do homenageado se iniciaram os trabalhos da abertura da estrada de macadame que haveria de servir toda a freguesia, até então completamente isolada da rede rodoviária nacional.

Na sessão de homenagem que precedeu o descerramento do busto, e a que presidiu o Sr. Engenheiro Horácio de Moura, Governador Civil do Distrito, falaram os Srs. Padre Joaquim da Costa Loureiro, pároco da freguesia; António Pereira, da Comissão de Melhoramentos do Sardal; Dr. António Luis Gonçalves; Coronel Silva Sanches, Presidente da Câmara Municipal Arganil; José Duarte da Costa Nicolau, da Comissão de Melhoramentos do Pai das Donas; Dr. Augusto Simões, Deputado; Engº António Lourenço dos Santos, da Esculca, e por último o Sr. Governador Civil. Em nome da família agradeceu o Dr. Mário Mathias.

Das razões desta homenagem e das qualidades e serviços do homenageado, as palavras proferidas pelo Dr. António Luís Gonçalves, advogado, e anterior Presidente da Câmara Municipal de Arganil, fazem disso uma justa e bela descrição:

«A homenagem que hoje se presta a Leonardo Gonçalves Mathias - importa acentuá-lo - não é fruto dum improviso, nem se deve à iniciativa dum só, ou dum grupo; ela brota espontânea da alma do povo que o conheceu e estimou em vida e guardou em seu peito gratidão imperecível e memória viva duma presença que a todos impunha respeito e veneração.

Há muito que o povo o celebra nos seus cantares e tudo leva a crer que o seu nome, transmitido a uma familia ilustre, que à Benfeita vota a maior afeição e não se desprende por nada do torrão natal, continuaria lembrando pelos tempos fora.

Mas era bem que a sua figura veneranda, já invocada nas placas da rua que foi dedicada, se perpetuasse no bronze, para grata recordação daqueles que o conheceram e transmissão às geerações vindouras, da imagem daquele de quem sempre se há-de ouvir falar.

Ela aí está, pois, por vontade desse mesmo povo e na visão fiel do escultor, a olhar a Benfeita que ele tanto amou, lição perene de baírrísmo e amor pelas coisas da terra e motívo de medítação que a todos aproveitará.

Tem-se falado muito na obra material que Leonardo Mathias empreendeu em favor da Benfeita, quando em 11 de Novembro de 1931, iniciou na Portelinha, com uma cavadela simbólica, a construção da nossa Estrada. E, falando nessa obra, não se tem esquecido, nem podia esquecer-se, o nome desse obreiro que foi seu companheiro de trabalho e contínuador, Alfredo de Oliveira.

Não serei eu a mínímízar tal trabalho e só há que agradecer e louvar a quem em todas as oportunidades o tem lembrado.

Mas não é esse, a meus olhos, o maior benefícío que a Benfeita deve à sua memória, nem ele só explicaria o grande movimento de veneração e simpatia que se ergueu à sua volta.

Certo que as terras precisam de estradas, de escolas, de luz, de fontes e tudo o mais que o progresso material vai proporcionando às sociedades.

Mas elas precisam, mais que tudo, de se elevar moral e socialmente, tomar consciência dos grandes problemas que importam à humanidade alcançar, em suma, aquilo a que se chama civilização.

Ora, foi neste aspecto, segundo penso, que a acção de Leonardo Gonçalves Mathias mais se fez sentir.

Educado na escola do trabalho e dotado de espírito vivo e observador, Leonardo Mathias foi levado pelos acasos da vida e pela ânsia de se elevar, ao contacto com novos mundos e novas gentes.

Em presença dos grandes centros, foi-lhe fácil libertar-lhe dos estreitos limites do meio em que foi criado e abrir novos horizontes, através dos quais a vida adquiriu para ele renovadas perspectivas.

Deu-lhe Deus uma palavra fácil e presença simpática e atraente. Alma franca, braços abertos para os amigos e para todos que o procurassem, conselho pronto e oportuno, breve a sua casa da Benfeita se transformou em verdadeira escola de civismo.

E, por fortuna sua, não lhe faltou por companheira a esposa dedícada, inteligente e carinhosa, cuja bondade e compreensão era outro grande atractivo daquela casa feliz.

Deste lar exemplar, espelho de virtudes e modelo de sacrifícios, nasceram dois filhos que, sendo valor destacado da Nação, são da Benfeita a maior honra e glória.

Só por tê-los dado à Pátria, valia a pena ter vivido.

Sou forçado a terminar e faço-o em plena alegria.

É que a Benfeita, na medida em que se mostrou grata e reconhecida, terá escrito hoje uma das mais belas páginas da sua história e, apresentando aos vindouros tão nobre exemplo, ter-lhes-à prestado o melhor serviço.»

in: "Benfeita 1963-1965", por Mário Mathias

Fotografias de V.Quaresma - Junho/2001

Ver também:
Biografia Leonardo Mathias