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SITE DA BENFEITA - 29/03/2019

DR. MARCELLO MATHIAS


No próximo dia 9 de Junho passam 20 anos sobre a morte do Dr. Marcello Mathias, diplomata ilustre, oriundo da Benfeita, filho de Leonardo Gonçalves Mathias e de Maria d'Assunção Nunes Duarte Mathias, ambos nascidos, falecidos e sepultados na nossa terra.

Marcello Mathias nasceu em Lisboa, lugar onde estudou e se formou, e onde residiu durante vários anos, embora se referisse sempre à Benfeita como sendo a sua terra. Aqui tinha uma casa e era bem recebido sempre que cá se deslocava, nunca se negando a contribuir com significativos donativos sempre que a isso era solicitado sendo a sua generosidade muito apreciada. Mercê das suas funções diplomáticas, também residiu vários anos fora do País.

Marcello Gonçalves Nunes Duarte Mathias, ou, para melhor entendimento, Marcello Mathias I, deu seguimento a uma distinta e prestigiada sucessão de gente ilustre benfeitense, iniciada por seu pai Leonardo Gonçalves Mathias (Leonardo Mathias I), que foi funcionário do Ministério das Finanças, constituindo uma verdadeira "dinastia" de diplomatas, começando por ele próprio, que foi Embaixador de Portugal, em Paris, e Ministro dos Negócios Estrangeiros; seguindo-se os seus dois filhos: Leonardo Charles de Zaffiri Duarte Mathias (Leonardo Mathias II), licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, que foi embaixador de Portugal em Bagdad, Washington, Brasília, Madrid e Paris, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Representante Permanente junto da Comunidade Económica Europeia; e Marcello Zaffiri Duarte Mathias (Marcello Mathias II), licenciado em Direito, que foi Embaixador de Portugal em Nova Dehli, Buenos Aires e na UNESCO, e não residente no Nepal, Sri-Lanka e Bangladesh e Cônsul Geral em Nova Iorque.

Seguiram-se os seus 3 netos: Leonardo Bandeira de Mello Mathias (Leonardo Mathias III), licenciado em Gestão de Empresas/Finanças Internacionais e Marketing, que foi Secretário de Estado Adjunto e da Economia (Cavaco Silva / Passos Coelho); Marcello Vaultier Mathias (Marcello Mathias III), licenciado em Direito, que foi Adjunto Diplomático do Gabinete de Paulo Portas e Cônsul-Geral de Portugal em Bordéus; e Nuno Vaultier Mathias, licenciado em Direito, que foi Cônsul-Geral de Portugal em São Francisco e membro da Missão Permanente de Portugal junto da ONU, em Nova Iorque.

Não esquecendo, claro, o Dr. Mário Mathias, o filho mais velho de Leonardo Mathias I, que foi advogado em Lisboa e Secretário-Geral do Governo Civil da Horta, Portalegre, Aveiro e Santarém, e Adjunto do Director-Geral da Administração Política e Civil, e do seu neto, o Eng.º José Mário Matias Teixeira Parente, engenheiro civil, e docente do ensino superior, na Universidade Lusíada, de Lisboa.

Placa toponímica de uma rua no EstorilPor razões mal compreendidas, o Embaixador Marcello Mathias I, não mereceu honras toponímicas na aldeia onde tem as suas raízes, como aconteceu com o seu pai Leonardo Mathias I e com o seu irmão Mário Mathias, embora lhe tivesse sido dada tal distinção honorífica no local onde faleceu, no bairro de Santo António, Estoril, concelho de Cascais, e onde viria a mandar construir um jazigo de família no Cemitério do Estoril.

Esta merecida homenagem de reconhecimento público nunca chegou a verificar-se na Benfeita, muito provavelmente, por ter sido uma grande figura da diplomacia do Estado Novo, muito próxima de Salazar, situação que poderá ter determinado que o seu nome tivesse sido intencionalmente "esquecido" por alguma mente mais radical do pós 25 de Abril.

Mas, um alto dignitário que exerceu as suas funções com lealdade e competência, durante o Governo deste ou daquele, não pode ser avaliado em função da maior ou menor simpatia pelo político com quem trabalhou, deixando de ser uma personalidade altamente estimável e sendo-lhe vedado o merecimento de qualquer distinção pública, na sua terra.

VIVALDO QUARESMA

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